Bem mais do que posso falar ou silenciar...
Não basta um olhar... não chega a enxergar.
Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...
Eu costumava ter um conceito diferente sobre as coisas, sobre as pessoas e sobre meus próprios sentimentos. Perguntava-me dia e noite se o tão falado amor existia. Amor entre irmão, amigos, pai, mãe, tudo isso era sentido de verdade, ou éramos induzidos a pensar que sentíamos? queria sempre saber, descobrir por mim mesma se eu fui educada a amar meus pais e meus irmãos ou era um sentimento involuntário, não passível de coerção.
Aí vieram os amigos. Ah! sim! quer sentimento mais puro que a amizade? e ouvia e dizia muitas pessoas: "Amizade também é uma forma de amor!". E concordo com isso. Não temos obrigação de amar nossos amigos, temos? eles aparecem das formas mais inusitadas possíveis e ganham espaço sem nem ao menos percebermos. Viram quase irmãos. Na verdade, muitos - alguns - são nossos irmãos.
Mas mesmo assim duvidava da existência do amor. Duvidava de minha própria capacidade de amar. Foi quando chegou um filho. Esse sim. Amor incondicional. Carregado durante 09 preciosos meses, amamentado e cuidado com algo mais precioso que leite materno: amor! Como poderia eu não amar um ser que saiu de dentro de mim? ao qual eu dei de comer também de dentro de mim, do fundo do meu peito (tá valendo o trocadilho)?
Mas não estou escrevendo todas essas linhas para falar desses tipos de amor(es). Isso. Exatamente. Descobri dentro de todas as retóricas perguntas que são vários os tipos de amor(es). E cada um tem seu jeito de amar e demostrar seu amor. Isso é fato.
De qualquer forma, com todos esses "amores", havia um tipo que definitivamente, eu nunca acreditei. Tinha um conceito totalmente diferente do senso comum e absurdamente estranho (pelo menos pra maioria). Acreditaria eu que homem e mulher poderiam amar-se de verdade? Seria eu capaz de sentir-me assim? duvidava.
Hoje bem sei, ele existe. Acredito. Sinto-o. Vivo-o.
Sinto-o em mim ao pensar mesmo sem querer (ou não!); falar sempre sem nem perceber; estar assim ser tudo que quero fazer; Assim quero e vou permanecer.
Amo sim. De verdade (verdadeira). Feito criança, que não ama pela metade.
Escrevo agora para mostrar pra mim mesma minha capacidade de amar. Para (eu mesma) ver que o que sinto é imenso, crescente e eterno.
Amo. E tenho vontade de gritar na rua todos os dias que acordo. De seguir meu pensamento que consegue estar em lugares que não posso. De ficar entre os braços com os abraços quentes no frio; De estar junto, somente, eternamente.
Ficarei dias por aqui, meses, anos, não importa. Entrar ali ainda me dói muito. Entorpece-me de tristeza e melancolia. E mesmo após tudo que me foi dito, esclarecido, prometido e evidenciado, a alma ainda dói. Posso sentir a chuva que cai por dentro, silenciosa como tudo o que sinto e não calo.
E com todos os sussurros que gritam em meu pensamento, são apenas algumas linhas que acendem em meus olhos, tornando escuridão tudo que meus ouvidos tenham presenciado, e tudo que minha pele tenha provado. São poucas linhas, poucas sim, essas que não pertenciam a mim, que ao peito meu pareciam carregadas de saudade e desejo reprimido, não por mim.
Estavam escritas e ficarão em mim. Ainda estão, descritas.
Deixou-me parte adoecida. A parte partida em mim que não parte de mim, parte-se enfim.