Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

[In]certeza



Hesitação abissal sobre suspeita imperceptível
Ando in.decisa, in.conformada, 
Tenho dúvida por não ter dúvida alguma
Tenho medo do que é certo, onde não há erro
Trauma-me o [des]engano im.perfeito
Sem coragem para acertar ou [des]fazer-me em exatidão
incompreensível
Assusta-me essa atmosfera incoerentemente correta
Como eu poderia experimentar o im.provável?
P.e.r.f.e.i.t.a.m.e.n.t.e vulnerável
Por confiar no que é inacreditavelmente confiável
Evidente verdade que me torna cética
Descrença da realidade
Permanentemente certa


K. J.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Instinto animal


Duvide
Obrigue-me a [des]fazer
Faça-me jogar pra valer
Assuma que você quer ver
noite em olhar meu permanecer
Desconfie
de tudo que te atrai
que te fascina e ou te distrai
Há mais
de onde você não sai
Desafie
Brinque de chefiar
perca-se ao silenciar
e veja no meu olhar
o verdadeiro inquietar
Sinta
Movimentando-se em sua direção
arrastando-se pelo chão
o prazer da aflição
de quando a presa está na mão
Aprecie
a manta negra de constante brilho
Unhas que cortam sem auxílio
Animal noturno e andarilho
na caça não há empecilho

Duvide
Desconfie
Desafie
Sinta
Aprecie
e satisfaça-me!


"Muitos felinos brincam com a presa antes de devorá-la"

K.J.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Grafando em (meu) silêncio



Se eu soubesse que não seriam só palavras
Grafias de sentimentos marcados na folha de papel
Sensação escrita sem tinta, sem cor, ao léu
Letra que não cala em meu contentamento
vertida em tristeza trazida pelo vento
Dolorosa grafia escrita pelo tempo!
Em alta expressão do pensamento que cheira à saudade
Sinto o gosto que o  medo traz-me à boca
Deixa-me árida, rude e áspera
Constante inquietação transformada em tempestade
(Chove olhar meu em ausência)
Se eu pudesse saber se essas palavras seriam lidas
poderia escrever todo silêncio em mim agora
Tudo que habita e que me devora
que me adormece, entorpece e me apavora
mas que não quero que vá embora
Silêncio meu treme ao ser ouvido, mexido e indagado
Temor de não ouvir nada mais que ele mesmo
ou de ouvir o que poderia ter sido calado
ficando em mim sepultado


Dúvida não há sobre o que sinto. Não sobre o que sinto.


K.J.