Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Olhar a janela


Não sei o que espero todas as noites em que fico acordada, olhando a rua pela janela. O sono não vem pôr em repouso meu corpo, e mesmo quando o sono chega, rejeito-o, prefiro ficar entre meus pensamentos e devaneios, vagueando no deserto que há lá fora. Por que não morre em mim a boba esperança de que chegará? mas o que vai chegar? espero por algo que nunca chega. Conto com alguma coisa que nem conheço, mas desejo com todas as minhas forças que aconteça. Talvez eu saiba o que quero e o que espero. Mas o medo de ter não me deixa fazer mais nada a não ser esperar. Quero acreditar que chegará. Temo acreditar em algo que não acontecerá.

Sei que não virá esta noite. E nem quero que chegue. Mas não consigo parar de esperar. Mesmo não querendo, desejo que venha. Não quero me sentir só. Não quero estar só.

Não há nenhum sinal teu por perto. Mas não saio da janela, é ela que alimenta minha esperança. É somente através dela que posso ver e esperar...





Olho pela janela, mas não vejo, apenas olho minha alma...
O que me traz? me traz o sentir, o sonhar
A vontade de viver e respirar cda sonha meu, cada sentido é sentimento
Ao longe escuto um cavalgar, mas ainda tão distante, tão inatingível
Olho pela janela e nã o vejo, apenas deixo a brisa me tocar
Acariciar minha pele, meu rosto
E me encher de vida, de sonhos, leveza de espírito...

Kelly Jucelle

Longe de mim


Sinto-me tão próxima de mim
Posso sentir meu cheiro e ouvir meu silêncio
Consigo reconhecer meus sorrisos de menina
E entender minhas tristezas de mulher
Posso deixar que meus olhos contemplem todos os lugares do íntimo da alma
Desnuda de carne e pudor


Não vejo ninguém além de mim
Sentada no chão, os olhos fixos no céu
O que eu estaria a pensar lá?
Ao meu lado, rastros, pegadas que não reconheço
Aonde foi quem por aqui andou?
Há tão poucas estrelas hoje...
Será que tenho minha companhia?
Mesmo perto, me sinto só


Ainda sou menina pra entender
Já sou mulher pra sentir

Sou menina pra sonhar
Mulher bastante pra desejar


Estou longe de alcançar o entendimento
O sentimento do que é não estar sozinho
O sonho escondido, perdido, deixado pra trás
O desejo de entender, de sentir e sonhar junto


Kelly Jucelle

Letras minhas


Estou tão cansada de/pra chorar, que hoje quero apenas escrever. Quero poder transformar minha tristeza nestas palavras que agora verto, escritas, grafadas com cada pedaço de sentimento que sobrou. Quero fazer com que cada letra seja cada uma das razões deste ar pesaroso que pousa sobre minha mão. Quero que as palavras possam escapar e levar com elas as mágoas e o desalento que agora tenho. Quero que o texto possa ter a face das lembranças que roubam a alegria do meu rosto. Quero deixar essa tristeza aqui, gravada em forma de escrita, marcada em forma de palavra, transformada em rascunhos de mim, do que desejo, do que sinto, do que não quero mais sentir.

Kelly Jucelle

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vestida de cinzas


Sinto a fera ferida, na carne e na alma, atravessando sentimentos e emoções,. A dor não mata,  rasga, queima cada pedaço guardado e escondido, mas não mata. Transforma o corpo amortecido em cinzas. Não são nas cinzas que me afogo, nem desapareço. São nelas que me re.faço, que forjo meu corpo em aço, ganho vigor e alço meu vôo. Não se pode subjugar quem das cinzas pode se re.fazer. Delas posso re.nascer, mais forte e reluzente. Sinto menos medo agora. Tenho menos fraquezas agora. A fênix pode bater suas asas e se livrar do resto da poeira. Pode mostrar todo o seu brilho e impetuosidade. Não teme a vida, não teme a dor e o sofrimento. Se ferida novamente, novamente irei às cinzas, e nas cinzas queimarei toda a dor e forjarei nova forma, nova vida, novo sentir e mover... não me entregarei.

Kelly Jucelle

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vida em mim


Te tenho bem perto agora, bem junto e sempre dentro de mim. A saudade que pesava em meus olhos agora foi abafada pelo abraço teu, pelo encontro dos olhos transcendentes de felicidade que me aguardava. Em ti posso repousar. Posso adormecer em teus sonhos de criança e acordar entre os brinquedos na sala. Posso te observar dormir e apreciar com encanto teu sono inocente e quieto enquanto afago teus cabelos. Quando acordado é pura energia que irradia por onde passa e quem passa... contagia. Afasta todas as inquietações ao sorrir e reflete sorrisos em quem te olha. Sua voz é música que jamais quero deixar de ouvir. Presença necessária em minha vida, vida que se move quando está perto, vida que é maior que a minha. Amor absoluto, incondicional, eterno...


Kelly Jucelle

Ainda sem voar


Minhas asas não bateram ainda. Não consigo voar. O desejo de voar me consome, visceral e pungente, me é insuportável permanecer viva aqui. Aqui o vôo declina, o ar faz as asas pararem e se partirem em plena ascensão. Sinto-me em queda livre, e enquanto caio solto o pensamento dentro de um grito,  ecoando e rasgando o silêncio ao meu redor. O pensamento viaja, corre, movimenta-se sem limites, livre das presilhas que tentam amordaçá-lo. Ah! o pensamento tem liberdade para voar,  transcende o ser e a alma... quanto a mim, nem consigo abrir minhas asas. Não teria saído completamente do casulo? a lótus  antes aberta e iluminada pelo sol, está com as pétalas dentro da água, não alcança mais a luz. Submersa, está cansada de lutar  pra respirar enquanto suas raízes a puxam pra dentro da lama. Afogando-se ela pensa em se fechar. Voltar para dentro de si, fechar-se em si mesma e reabrir quando a enchente secar, quando o nível do rio baixar... o casulo sufoca minhas asas, o ar as corta feito lâminas... a água afoga a flor que não sabe nadar...

Kelly Jucelle

domingo, 12 de dezembro de 2010

Saudade molhada


Hoje acordei e tentei abrir meus olhos. Não estava mais sonhando, não desejava mais sonhar. Desejava sair de seu mundo, abrir-se e contemplar novas paisagens, longe da realidade vertida em melancolia. ude abri-los devagar e olhar tudo o que havia em seu redor. Vi nuvens de chuva que pareciam se desfazer. Vi um rio que possuía diversas imagens descendo pelo seu leito. Os olhos pousaram sobre ele, tentando decifrar as cenas ali contidas e sentidas... (re)vê-las incheram e molharam os olhos de saudade, pois ainda doíam, não estavam habituados à luz do sol. Ainda chovia dentro deles. Perderam-se na imensidão do rio, que a cada gota de chuva que caía, fazia transbordar a água cristalina e salgada. Afogaríam-se na saudade?

Saudade que pesava no rosto, não vivida, somente sentida. Des.construída, sensível à lembrança da ausência não preenchida. Foi embora o que não me pertencia. Deixou muito do que eu não queria. Saudade transbordante, deixa pouca alegria...

Kelly Jucelle

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sem


Está tudo silencioso agora. Não ouço ruídos nem murmúrios a minha volta. 
Não estou mais aqui. Não me sinto mais neste lugar.
O que estaria fazendo fora de mim, fora de meus sonhos e intenções?
Não me re.conheço hoje, minha a.normalidade está fora de questão.
Não quero pensar em nada. Tudo que gosto está desconexo e não faz sentido.
Sinto-me longe, de mim mesma. Des.ligada no vazio.
Nada quero ver e nada move minha vontade.
Não tenho vontade de fazer nada e nada me dá vontade de fazer algo.
Sinto meu vazio agora. Sinto que está cheio da angústia de coisa alguma.
Há algo desabitado e frívolo derramado por toda parte.
Exala cheiro de isolamento. Lugar ermo que não me acolhe, mas teimo em estar.
Não quero voltar, não ouso permanecer, mas esquanto piso neste solo melancólico, minha alma encontra refúgio. Morada silenciosa que não grita ao meu ouvido.
Não enxergo desertos ao meu redor. Não enquanto não abrir os olhos...

Kelly Jucelle

Fechados


Quando fico triste, fecho meus olhos. Tento enxergar bem dentro de meus sentimentos e entender o movimento deles. Movem-se sem minha permissão, sem que eu saiba. Poderia eu controlá-los? Sinto que eles escapam de minhas mãos e escorrem entre meus dedos. Poderia eu segurá-los? chegam tão silenciosos e quietos e quando percebo já estão totalmente instalados e se deslocando livremente entre os espaços do meu ser. Trazem turbilhões de sensações. Será que não estão tendo a devida atenção? Meus olhos nem sempre enxergam seus movimentos. Nesse momento eles só conseguem sentir, vendo através do espelho da vida, as janelas de minha alma. Por enquanto eles estão lá, fechados, abertos em meus movimentos e sentidos, somente apreciando a cena que se forma, expiando a dança construída e discernindo os estímulos em seus sensores. Minha própria sensibilidade. Seriam meus sonhos? Pefiro assim, quando estão fechados.

Kelly Jucelle

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Seria suficiente?



  
Sentimentos não se movem apenas por senti-los... sentimentos são expressões de nossa vivências e convivências. Eles não nascem sozinhos e nem devem permanecer sozinhos. É necessário que sejam compartilhados, principalmente com os sujeitos/atores que ajudaram a construi-los e a mantê-los vivos. Por que escondê-los? Penso que só continuam vivos quando divididos. Quanto mais se dividem, mais são multiplicados...


Kelly Jucelle

Vo.ar



Necessito voar
A um lugar onde posso ser, simplesmente ser, não me preocupar em ser
Asas que me façam chegar
 (Ex.ins)pirar toda a vida presa em mim
Quero asas que possam me libertar
Lugar esse que posso seguir/estar sem medo
Não quero mais temer, não posso mais temer
Preciso expor, viver, sem me conter
Necessito.ar
Necessito vo.ar

Kelly Jucelle