Minhas asas não bateram ainda. Não consigo voar. O desejo de voar me consome, visceral e pungente, me é insuportável permanecer viva aqui. Aqui o vôo declina, o ar faz as asas pararem e se partirem em plena ascensão. Sinto-me em queda livre, e enquanto caio solto o pensamento dentro de um grito, ecoando e rasgando o silêncio ao meu redor. O pensamento viaja, corre, movimenta-se sem limites, livre das presilhas que tentam amordaçá-lo. Ah! o pensamento tem liberdade para voar, transcende o ser e a alma... quanto a mim, nem consigo abrir minhas asas. Não teria saído completamente do casulo? a lótus antes aberta e iluminada pelo sol, está com as pétalas dentro da água, não alcança mais a luz. Submersa, está cansada de lutar pra respirar enquanto suas raízes a puxam pra dentro da lama. Afogando-se ela pensa em se fechar. Voltar para dentro de si, fechar-se em si mesma e reabrir quando a enchente secar, quando o nível do rio baixar... o casulo sufoca minhas asas, o ar as corta feito lâminas... a água afoga a flor que não sabe nadar...
Kelly Jucelle

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