Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Manhã de saudade


Acordei com saudade do que nunca tive. Anseio insaciável de sentir, mexer entre os dedos o que eles ainda não tocaram. Ainda na cama, sonhei de olhos abertos com cada cena que pulava à frente de meus olhos. Depois de levantar, caminhei até à sala, mesmo zonza de sono, sem saber direito o que procurava, sem esperanças de encontrar o que tirava meu sossego matinal. Os olhos vasculharam todo o lugar. Apenas eu. Foi o que encontrei depois de sentar no sofá e dar uma última olhada a minha volta. Chegou-me a sensação estranha de como se as paredes em olhassem e sussurrassem umas com as outras que eu estava ficando louca. De repente surgiam lembranças de coisas que eu nunca fizera. Imaginação. Loucura. Planos talvez? Vontade reprimida. Filmes que nunca assisti. Medo de arriscar matar a vontade e sentir de fato saudade. Sensações que insistem em fazer parte dos meus desejos e aspirações. Me faz querer ver, pegar, cheirar, sentir o gosto que deixa na boca e escorre pela pele. O que escorre de (em) mim sem minha permissão. Saudade. Saudade!? como? de tanta vontade. A casa ainda vazia. Sou o único habitante. A porta não sei se está aberta, mas não há dificuldade em tentar abrí-la. Difícil é manter-se lá dentro. Não ser convidado a retirar-se, pra nunca mais voltar.

Kelly Jucelle

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