Quem fala e silencia...
- Kelly Jucelle
- Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Fechada em mim
Estou fechando portas esta manhã
Fechando o olhar meu, fechando o que há
Deixo o que fica pra trás, não olho
Pra não ter que lembrar
Fica guardado o sentimento silenciado
Sentido e nunca compartilhado
Sil^ncio meu (em mim)
Que sempre vem me acordar
Hoje não permito entrar o sol
Quero ficar embaixo do lençol
Meu medo está na sala a me espreitar
A porta já está fechada, não estou trancada
Removi a fechadura
Deixei meus gritos do lado de fora
(não quero ouvi-los)
Vou ficar um tempo aqui dentro, sozinha, comigo
De frente o eu e mim
Pra mudar alguns objetos de lugar
(Transformando-me)
Pra quem sabe abrir uma janela
e dormir ao luar
"Fecho-me pelo medo de sentir (mais)... covarde eu? talvez... e quem às vezes não é?"
Kelly Jucelle
domingo, 12 de junho de 2011
Soprando em mim
Vento d l b r a e
e i e d d
E quando o vento sopra
Mais forte, mais lento
Mesmo que não balance os cabelos
Leva parte de mim
que se (des.re)faz no ar
Conforto-me no vento frio
Permito o toque à face
Envolve-me em abraço, laço (aperto)
Aqueço-me
Aquieta-me o sopro no ouvido meu
O som sensível à pele, marca
Invade a carne, se torna áspera
Sopra em mim, dentro de mim
A mesma brisa que balança a folha
É a que passa por mim
Ganha força pra soprar
Leva o que sinto, o que deseja
Sonhar...
Kelly Jucelle
sábado, 11 de junho de 2011
Adorno
Não faço parte de você
De seus livros, nem de seus vícios
Não sou parte importante
Pra você não tenho nome
Não aparece e não some
simplesmente me esquece
Sou parte de sua brincadeira de pique-esconde
Estou cansada, tenho sede, tenho fome
Deixo claro nesse instante
Não posso estar à sua disposição
Estou saindo da sua estante
Kelly Jucelle
Falta d(e)m mim
Hoje grito, todas as minhas dores, todos os meus silêncios e sintomas de medo. Medo, medo sim, medo da luz que adentra em meus olhos, que me faz enxergar, me faz ter medo do que vejo, mesmo com os olhos a arder, chorar de dor. Acordei. Sinto-me desperta. Ainda estou sonolenta, ainda tenho frio. Está frio aqui, e não enxergo nenhum cobertor. Acordei fraca, mas disposta, disposta a "caçar" meu alimento, por dentro, pra fora.
Não vejo ninguém. Não enxergo a mim mesma. Sinto o calafrio, a queda de tudo que me sustenta. Sou assombrada pelo meu próprio fantasma, pelo eu que caiu, pela máscara que se partiu e abriu espaço para um rosto novo no espelho. O que aconteceu como reflexo meu? quem é essa que agora aparece diante de mim? "roubaram meu espelho", penso. Me sinto feito criança, nada entendo, nada sei, mas tudo posso compreender. Acho que acabei de nascer.
Estou desabitada de mim mesma. Vazio, que preenche o vão desocupado do meu espírito. Falta-me algo. Falta-me ocupar a existência com vida. Tenho o vazio preenchido de falta, ausência que sinto e temo, mas que busco a cada dia ocupá-la com meus desejos. Desejo sempre ter a falta, pra que novamente eu possa desejar.
Kelly Jucelle
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