Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

sábado, 11 de junho de 2011

Falta d(e)m mim



Hoje grito, todas as minhas dores, todos os meus silêncios e sintomas de medo. Medo, medo sim, medo da luz que adentra em meus olhos, que me faz enxergar, me faz ter medo do que vejo, mesmo com os olhos a arder, chorar de dor. Acordei. Sinto-me desperta. Ainda estou sonolenta, ainda tenho frio. Está frio aqui, e não enxergo nenhum cobertor. Acordei fraca, mas disposta, disposta a "caçar" meu alimento, por dentro, pra fora.

Não vejo ninguém. Não enxergo a mim mesma. Sinto o calafrio, a queda de tudo que me sustenta. Sou assombrada pelo meu próprio fantasma, pelo eu que caiu, pela máscara que se partiu e abriu espaço para um rosto novo no espelho. O que aconteceu como reflexo meu? quem é essa que agora aparece diante de mim? "roubaram meu espelho", penso. Me sinto feito criança, nada entendo, nada sei, mas tudo posso compreender. Acho que acabei de nascer.

Estou desabitada de mim mesma. Vazio, que preenche o vão desocupado do meu espírito. Falta-me algo. Falta-me ocupar a existência com vida. Tenho o vazio preenchido de falta, ausência que sinto e temo, mas que busco a cada dia ocupá-la com meus desejos. Desejo sempre ter a falta, pra que novamente eu possa desejar.

Kelly Jucelle

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