Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pa(ss.r)e Tempo!


Mais uma vez aqui, escrevendo estes versos para o Tempo
pra que ele ouça meu tormento
e pense em passar, sem fim, e não voltar
Pra que não me deixe esperar (tanto)
Escrevo sobre o que nunca esqueço
e do que quero lembrar
Peço ao Tempo que passe o pensamento dele nunca passar
As palavras (não) ditas voam pelo vento
e nele saem em movimento,
dançando pelo ar
Movendo, sentada ao relento, esperando a hora chegar
Por que não vai embora Tempo?
vai voando com o vento
por você não quero mais esperar!
Ligeiro, me re.invento, enquanto minh'alma esquento
Lembrando de onde queria estar
Passa o frio, passa o vento, e eu ao relento
sem ver a hora chegar
Aqui, escrevendo para o Tempo
pra que ele possa passar


Kelly Jucelle

Pequena cantiga


Precisava de inspiração
pra escrever esta canção
Canção essa sem ritmo nem melodia
que possa mostrar toda essa agonia
Não há letra sequer
que toque o que me toca agora
Palavras não tocam a música
(o) que toca dentro da alma
Não é canção de amor
Nem de alegria, enfim
Só quero tocar a tristeza
que agora habita em mim



Kelly Jucelle

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tristeza que voa (pra perto)


Ela ficou triste essa noite. A mesma menininha que se levantou de seu balanço assim que o pássaro caiu no chão. Ele não estava mais lá. Não estava dentro da casinha que ela tinha feito com tanto carinho. Por que havia saído de lá? tinha prometido cuidar dele até que sua asa estivesse curada. Sabia que quando sarasse, ele logo voaria. Sabia que um dia ia ter que deixá-lo ir. Os dias se passaram muito depressa, nem havia percebido que ele estava curado, que já podia voar, já sabia voar pra longe, pra onde era seu lugar. Enquanto a menininha olhava a casinha e seus olhos enchiam-se de lágrimas; enquanto ela lembrava do tempo que dedicou a ele, que tratou seu ferimento, as lágrimas escorriam e percorriam sua face; lembrava de quando deu alimento em seu bico, sem medo de ter sua mão machucada, tinha sua face molhada. Lembrava, apenas lembrava, com carinho, com o coração, dele ali, na casinha que era dele, que se abriu apenas para ele... mas agora estava vazia. Havia deixado ela sozinha. Sabia. Ela sabia que os pássaros só têm beleza no ar. São livres, e devem bater suas asas e voar. Ela está triste, pois não pode estar com ele agora; não vai poder estar mais, ouvindo seu cantar. Mas ela sempre soube, que um dia, teria que deixá-lo ir.




Kelly Jucelle

terça-feira, 18 de outubro de 2011

In.visível


Aquilo que não se pode ver, que não se pode ter
Aquilo que eu queria ser
Do que não se tem conhecimento
Que se esconde, se recusa, se anula

De olhos abertos sem enxergar
sem reconhecer, compreender, notar
Assim, dessa forma, sem aparecer
In.existente

Imagem minha apagada
Sumida, ofuscada, obscurecida
Estampa minha que quero ocultar
Não-refletida

Não ser vista, reconhecida, percebida
Quero apenas ser sombra
Aquilo que entristece a alma
Penumbra, isolamento, solidão

A parte menos iluminada de uma pintura
Parte escura, parte escusa
Mistério e enigma, sombrio
O que não há comunicação

Quero não a.parecer
Partir de mim a lembrança
Despercebidamente, escapar
Perder-me, não mais voltar


Kelly Jucelle