Quem fala e silencia...

Minha foto
Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tristeza que voa (pra perto)


Ela ficou triste essa noite. A mesma menininha que se levantou de seu balanço assim que o pássaro caiu no chão. Ele não estava mais lá. Não estava dentro da casinha que ela tinha feito com tanto carinho. Por que havia saído de lá? tinha prometido cuidar dele até que sua asa estivesse curada. Sabia que quando sarasse, ele logo voaria. Sabia que um dia ia ter que deixá-lo ir. Os dias se passaram muito depressa, nem havia percebido que ele estava curado, que já podia voar, já sabia voar pra longe, pra onde era seu lugar. Enquanto a menininha olhava a casinha e seus olhos enchiam-se de lágrimas; enquanto ela lembrava do tempo que dedicou a ele, que tratou seu ferimento, as lágrimas escorriam e percorriam sua face; lembrava de quando deu alimento em seu bico, sem medo de ter sua mão machucada, tinha sua face molhada. Lembrava, apenas lembrava, com carinho, com o coração, dele ali, na casinha que era dele, que se abriu apenas para ele... mas agora estava vazia. Havia deixado ela sozinha. Sabia. Ela sabia que os pássaros só têm beleza no ar. São livres, e devem bater suas asas e voar. Ela está triste, pois não pode estar com ele agora; não vai poder estar mais, ouvindo seu cantar. Mas ela sempre soube, que um dia, teria que deixá-lo ir.




Kelly Jucelle

Um comentário: