Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Saudade molhada


Hoje acordei e tentei abrir meus olhos. Não estava mais sonhando, não desejava mais sonhar. Desejava sair de seu mundo, abrir-se e contemplar novas paisagens, longe da realidade vertida em melancolia. ude abri-los devagar e olhar tudo o que havia em seu redor. Vi nuvens de chuva que pareciam se desfazer. Vi um rio que possuía diversas imagens descendo pelo seu leito. Os olhos pousaram sobre ele, tentando decifrar as cenas ali contidas e sentidas... (re)vê-las incheram e molharam os olhos de saudade, pois ainda doíam, não estavam habituados à luz do sol. Ainda chovia dentro deles. Perderam-se na imensidão do rio, que a cada gota de chuva que caía, fazia transbordar a água cristalina e salgada. Afogaríam-se na saudade?

Saudade que pesava no rosto, não vivida, somente sentida. Des.construída, sensível à lembrança da ausência não preenchida. Foi embora o que não me pertencia. Deixou muito do que eu não queria. Saudade transbordante, deixa pouca alegria...

Kelly Jucelle

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