Quem fala e silencia...
- Kelly Jucelle
- Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
(fl.c)ores ao vento
Dia cinza de cor neutra, onde a brisa encosta no rosto e passa entre os cabelos
O sol não chega a sair, observa a vida de longe, deixando que as nuvens tome o lugar do azul ao seu redor
As flores dançam ao vento enquanto suas folhas pairam no ar
Qual segredo traz o vento?
Elas são amarelas, brancas, rosas e marfins, se espalham por todo lugar
Pintam a cor neutra do dia cinza, com cada sorriso tímido aos pequenos claros do sol
Balançam para as aves que as rodeiam
Brincam com a brisa como o balanço do cabelo, sacodindo suas pétalas sem des.petalar
Dentro das casas, junto aos muros, presas ao chão
E livres ao ar
Kelly Jucelle
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Conexões sem rumo
Tomaram-me parte de mim esta noite. Parte minha que doeu ao ser arrancada. Parte que não queria deixar ir, mas que fugiu de mim logo que meus ouvidos e todo o meu ser foi testado. Sons inacreditavelmente pronunciados e inevitavelmente captados pelos meus ouvidos. Pedaços de mim foram foram sumindo... Não, não podiam ser palavras... o que resta de mim?
Nada importa neste mundo. Pouco importa e pouco vale o que se sente, nem mesmo o que verdadeiramente se é. A importância está no que se parece ser ou no esforço que cada um faz para tentar parecer algo, que não se é. De que serve uma vida de ilusões?
O que o mundo espera de mim? da perfeição estou me distanciando cada vez mais. Sou (des)humana em busca de humanização. Erro sim, e erro muito, mas não me envergonho de reconhecer cada um deles... sou fraca como qualquer um. Só não aguento mais esse faz de conta. Essa hipocrisia junto dessa vidazinha medíocre que todos acreditam ser a realidade. Fujo disso para (sobre)viver... Será que um dia vou poder viver?
Kelly Jucelle
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Sentimento (des)co.nexo
(Ins)piração ao passado
Um presente im.perfeito
A alma se (des)faz mais uma vez
Derrete feito gelo
Queima por dentro
Sublima o pensamento
Arde seco, pára no tempo
Mais-que-passado, futuro re.visitado
(Ex)piração de mim
Momento de descobrir
Kelly Jucelle
Luar de hoje
Ao meu lado, não vi ninguém passar
Alguém pra quem eu pudesse dizer "oi"
E que pudesse sorrir pra mim
Não vi niguém passar ao meu lado
Não há ninguém para conhecer
Gosto de sentir a brisa junto ao mar
Ver as ondas beijarem a praia
Enquanto sinto o calor do sol, brilhando forte
Mas não vi ninguém passar ao meu lado
E mesmo depois que cai a noite
Andando, deixando marcas na areia, somente meus pés aparecem
Como eu poderia pedir um beijo?
A lua está lá...
Iluminando feito prata no céu
E todas as estrelas parecem estar no chão
Agora, gostaria de estar sonhando
Mas a noite insiste em continuar
Trazendo o silêncio de vozes caladas
Mesmo hoje quando a lua está no céu
Ninguém passou ao meu lado
E eu estou aqui
Mesmo haja luar hoje
Não há porque procurar, nem o que procurar
Pois não passou ao meu lado...
Kelly Jucelle
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Mundinho de menina
Esta manhã a menininha acordou bem cedo, ainda com os primeiros raios de sol clareando as folhas secas no chão, e os passarinhos saindo de seus ninhos para ver o amanhecer. Ah! sim! ela adora o amanhecer.
Teve vontade de sair cedo da cama, precisava cuidar de suas plantinhas, dar-lhes água e alimento. Abriu a porta que dava para seu pequenino jardim, e ficou ali durante um bom tempo, olhando as gotas de orvalho caírem das folhas, observando o sol que atravessava os galhos das poucas árvores. Elas eram suas companhias.
Não havia mais ninguém com quem pudesse compartilhar seus pensamentos, seus sonhos, então sempre conversava com as árvores, e elas eram boas ouvintes. A menininha estava ali todas as manhãs, regando as plantinhas que cresciam cada vez mais, arrancando as ervas daninhas que insistiam em crescer, limpando seu balanço, sempre molhado e frio do orvalho.
Então sentou-se, balançando-se timidamente. Ela gostava de estar ali, entre o verde das folhas, formando bichinhos com as nuvens e imaginando as plantinhas dançando à sua volta... ela acreditava em fadas, e porque acreditava, elas existiam. As via saindo do tronco das árvores e de trás dos arbustos. Elas voavam à sua volta cantando e dançando e empurravam-na no balanço. Algumas traziam coroas de flores e colocavam em sua cabeça. Elas eram de todas as cores, e estavam sempre sorrindo, sempre animadas.
Kelly Jucelle
domingo, 2 de janeiro de 2011
Sentir-se (des)humano
Estou cansada de tentar ser humana. De tentar parecer algo que não sou. Afinal, somos humanos? não acredito que o que nos diferencia das outras espécies está no fato de sermos "racionais". Agimos com a razão? ou será que agimos muito mais digiridos por nossas emoções e sentimentos? o ato de raciocinar é tão mecânico quanto estender um braço para acenar, mover as pernas para andar e se manter em pé ou até mesmo respirar. Ser humano não está ligado a nossa evolução biológica em relação aos outros animais (somo ou não somos também animais?). Nossa principal característica enquanto ser humano estar em sentir-se humano. Está no pensar, mas não em pensar o que vamos comer depois do almoço, mas nas reflexões acerca de nós mesmos e quem nos cerca; de nossas ações e como elas podem nos diferenciar dos outros seres (sejam eles humanos ou não). Está em sonhar, não em sonhar enquanto se dorme, enquanto se mantém os olhos fechados, mas o sonhar acordado, tentando despertar para uma realidade de sonhos em que não se quer acordar, uma realidade em que despertamos para ter sonhos que não aparecem durante o sono... está no sentir, mas não sentir fome ou sede, dor ou conforto, no sentir o sentido da vida, abrindo os olhos e deixando-se invadir pelo sentimento que nos condena à liberdade e nos alforria de sermos libertos. Assim, podemos nos vestir de humanidade, ser quem de fato somos, mesmo sendo tão desumanos, pois não há nada que nos torne tão humanos do que a própria desumanidade. Afinal, quem mais pode cometer um ato desumano senão o próprio ser humano?
Kelly Jucelle
Assinar:
Comentários (Atom)







