Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sentir-se (des)humano


Estou cansada de tentar ser humana. De tentar parecer algo que não sou. Afinal, somos humanos? não acredito que o que nos diferencia das outras espécies está no fato de sermos "racionais". Agimos com a razão? ou será que agimos muito mais digiridos por nossas emoções e sentimentos? o ato de raciocinar é tão mecânico quanto estender um braço para acenar, mover as pernas para andar e se manter em pé ou até mesmo respirar. Ser humano não está ligado a nossa evolução biológica em relação aos outros animais (somo ou não somos também animais?). Nossa principal característica enquanto ser humano estar em sentir-se humano. Está no pensar, mas não em pensar o que vamos comer depois do almoço, mas nas reflexões acerca de nós mesmos e quem nos cerca; de nossas ações e como elas podem nos diferenciar dos outros seres (sejam eles humanos ou não). Está em sonhar, não em sonhar enquanto se dorme, enquanto se mantém os olhos fechados, mas o sonhar acordado, tentando despertar para uma realidade de sonhos em que não se quer acordar, uma realidade em que despertamos para ter sonhos que não aparecem durante o sono... está no sentir, mas não sentir fome ou sede, dor ou conforto, no sentir o sentido da vida, abrindo os olhos e deixando-se invadir pelo sentimento que nos condena à liberdade e nos alforria de sermos libertos. Assim, podemos nos vestir de humanidade, ser quem de fato somos, mesmo sendo tão desumanos, pois não há nada que nos torne tão humanos do que a própria desumanidade. Afinal, quem mais pode cometer um ato desumano senão o próprio ser humano?

Kelly Jucelle

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