Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Palavras


Não desejo explicações. 
Não quero falem, justifique ou pronuncie uma única palavra. 
Não há como tornar claro o que adentra meu ser e atravessa portas sem ser convidado, o que me é despertado e desperto. 
Quando necessita de explicações é porque nunca será entendido. Desejo o tocante sem toque, o que provoca à alma, pesa e não tem nome, não há julgamento. Apenas o que toca e sobrevive e dispensa esclarecimentos, nomeação, sem (pre)conceito ou noção. 
Consome o que (não) sou com fome, fome de estar, fazer parte, de ficar. 
Palavras é o que menos quero agora. 
O silêncio me basta, aquele gritante, de som cortante que faz sangrar, derrama a voz e aguça o sentimento. 
É o que quero agora. 
Sentir sem precisar explicar.
Calar-se.
Calar-me.

Kelly Jucelle

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