Vejo a cor branda de minha carne sem tocar o espelho
A face desbotada pela chuva não vertida, escondida no olhar
Morbidez minha, nua em vestes rasgadas pela dor que me corta nesse dia
Minha inquietação descorada, devora-me o vazio que preenche minha tristeza
Resta-me o escuro e o silêncio que hoje flagelam o que ainda há em mim
Sofro de melancolia profunda e duradoura, alimento da minha hipocondria
Sinto-me cair no abismo do que sinto, sozinha com a tenebrosidade
Salto, jogo-me quando desaparece a vontade de estar de pé
Já não sustento o corpo adormecido e degradado
Desmorono, transbordante água velada que escorre enquanto dói
Dor pungente, de trago cortante e voraz
Não posso gritar
(não há ninguém pra me salvar)
K. J.

Nenhum comentário:
Postar um comentário