Continuei andando então, sem saber por/para onde. Não desejei fazer tal pergunta a mim mesma, apenas seguir o caminho que aparecia abaixo de meus pés. Ouvi o barulho da água, enxergando um rio logo a frente. Água límpida, cristalina de tal modo que quase se podia ver vida ali dentro. Ah! dizem que essas águas são as mais perigosas, pois acredita-se estar vendo o fundo, e não se teme em adentrar-lhe; quando se dá conta, já se está quase afogando. Mas minha intenção era continuar minha caminhada. Enxerguei uma ponte. Pequena, estreita, onde passaria apenas uma pessoa por vez. Uma ponte recém construída, mas que não dava sinal de suportar meu peso. A madeira fina, os nós não estavam bem acabados, parecia fabricada por uma criança. Arrisquei. Subi na ponte, e me encontro em cima dela. Temo em não chegar do outro lado. Temo que a madeira não me sustente e se parta. Mas continuo em cima dela, é única, e preciso chegar ao outro lado. Quando olho para os lados aprecio a paisagem, as árvores, flores e grama, e sorrio com a brisa que beija minha face. Se olho para baixo, penso que vou cair. Lembro do quanto o fundo do rio pode estar longe e que eu nunca aprendi a nadar. Mas não posso descer agora. Mesmo cedendo ao medo, só posso seguir em frente. Talvez eu consiga chegar ao outro lado. Talvez eu precise cair e aprender a nadar.
Kelly Jucelle

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