Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Se(m.n)tido


Queria que o mundo mudasse
e de mim [se] partisse
O desejo que tudo acabasse
restando apenas o que eu sentisse
Pausa (sil^ncio) [meu]
Ouço minha própria respiração
Som esse que posso executar livremente (único)
Sem medo, receio de conspiração, sem exatidão
Preocup[me]ação
Transborda no olhar o meu c(h)ôro
O som de um silêncio gritante
Em e-c-o, cortante
Devora o sentido que há, consumindo-me
Superfície esta não está, não descobrirá
Diante de inexistente motivo que encontro aqui
Extingue-se em mim a vontade
de permanecer no eu, sem gosto, desleal
Uma existência pateticamente surreal
Contrariando a verdade
Pausa (grito em eco) [meu]
Segredo quebrado, nunca confidenciado
O que mora em mim, aqui jaz
A alma enfim se desfaz
Mórbida, fria, de natureza doentia
Toda a fome e agonia
Agora, aqui, sepultada
[em mim]


Kelly Jucelle

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