Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Afastando-se em sopro



Por onde andas vento, que não sopras mais em mim?
Será que sem curva passou,
ou encontrou outro jardim?


Na janela minha deixou de entrar
Em meu cabelos não sinto afagar,
nem levar toda a dor que deposito aqui


A ventania sumiu, se escondeu (n.d)o tempo
Não faz barulho em minha porta, o vento
Não entra em meu aposento


Brisa se foi, de sopro fraco em seu torpor
Talvez soprando em outra flor
Vento esse que não sopra mais em mim


Falta do cheiro do vento,
Do afago, do acalento
Do abraço, passando entre meus braços


Falta do carinho, da resposta
Do sopro no ouvido
Coisa nossa...




K. J.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Preciso-me!


Somente não quero ver ninguém hoje, escutar vozes ou ter contatos pessoais. Sou Assim. Gosto do silêncio na noite, da solidão e escuridão que me habitam e de minha própria companhia. Somente comigo mesma compartilho meus segredos mais íntimos e meu maiores medos. Só eu me entendo e não me julgo pelo que penso.

Necessito visceralmente disso, de mim, do eu, de fechar meus olhos e enxergar a alma minha despida, nua e crua em essência e substância.

Quero sentir-me, saber que estou aqui. Preciso que deixem-me, permitam-me que o faça.

Sou feito planta que morre sufocada com muita luz, mesmo que a intenção do sol seja fazê-la florescer.



Entre a cura e o veneno, a diferença está na dose.

Entre o prazer e a dor, a diferença está no toque.


As palavras possuem momentos certos para serem ditas e também possuem a dose e o toque certo. nada pode falar mais do que o silêncio.

Quero-me agora!

Deixem-me!

K. J.

sábado, 19 de novembro de 2011

Fragmentos



Silêncio meu que se rompeu. Quebrou-se, rachou d(e)m mim, partiu-se. Não posso mais silenciar o clamor da alma minha; a voz que reluta em sair, em vão, pois não há quem possa compreender seu som.


Em pedaços sonoros do silêncio que me habita, fui d-e-s-p-e-t-a-l-a-n-d-o, feito fera perdendo seus dentes ao vento; sopro no dente-de-leão.


Brisa que veio pequena, fraca sem vigor.


Mas que chegou forte, transgrediu, violou.




Ecos gritantes escapam de cada fragmento ao chão, cada pétala da lótus despedaçada que ainda dança sobre a água. Silêncio oriundo das que estão imersas na lama.


Exala de mim a melodia sensível aos olhos, imperceptível aos ouvidos. O rascunho do eu em mosaico des.feito, pálido e desvanecido.


Silêncios dissipando-se. Ecos se propagando. Gritos relutantes. 


Pétalas ao chão.


Pedaços.



K. J.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Incisão


Senti-me traída, encurralada, apunhalada
pelas costas, expostas,  ferida crua e nua, 
vestida de morbidez, vertida em mágoa.

Desmorono, transbordante água velada que escorre enquanto dói

Dor pungente, constantemente sentida
Dor como ferida, gangrena, úlcera tórpida
Dói a cada ex.piração, a cada negação, dói-me o desprezo
Dói-me a sensação de dor, o martírio do rancor
Dói-me ter tanto medo
A alma vestida de pó, carbono e erros
Pungida e rachada em cacos à melodia de sua voz,
de uma única v(o.e)z

A alma marcada feito pele não-cicatrizada
o gosto acre que escorre pela boca
As palavras frias, sombrias em seu som fúnebre
Imersas no escuro da noite


Caio mais uma vez no abismo do não-entendimento, 
dentro do que não sou, roubando-me o que me restou
Resta-me o escuro e o silêncio
que não me amparam, me flagelam 
Mas me sustentam


K. J.