Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Incisão


Senti-me traída, encurralada, apunhalada
pelas costas, expostas,  ferida crua e nua, 
vestida de morbidez, vertida em mágoa.

Desmorono, transbordante água velada que escorre enquanto dói

Dor pungente, constantemente sentida
Dor como ferida, gangrena, úlcera tórpida
Dói a cada ex.piração, a cada negação, dói-me o desprezo
Dói-me a sensação de dor, o martírio do rancor
Dói-me ter tanto medo
A alma vestida de pó, carbono e erros
Pungida e rachada em cacos à melodia de sua voz,
de uma única v(o.e)z

A alma marcada feito pele não-cicatrizada
o gosto acre que escorre pela boca
As palavras frias, sombrias em seu som fúnebre
Imersas no escuro da noite


Caio mais uma vez no abismo do não-entendimento, 
dentro do que não sou, roubando-me o que me restou
Resta-me o escuro e o silêncio
que não me amparam, me flagelam 
Mas me sustentam


K. J.




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