Senti-me traída, encurralada, apunhalada
pelas costas, expostas, ferida crua e nua,
vestida de morbidez, vertida em mágoa.
Desmorono, transbordante água velada que escorre enquanto dói
Dor pungente, constantemente sentida
Dor como ferida, gangrena, úlcera tórpida
Dói a cada ex.piração, a cada negação, dói-me o desprezo
Dói-me a sensação de dor, o martírio do rancor
Dói-me ter tanto medo
A alma vestida de pó, carbono e erros
Pungida e rachada em cacos à melodia de sua voz,
de uma única v(o.e)z
A alma marcada feito pele não-cicatrizada
o gosto acre que escorre pela boca
As palavras frias, sombrias em seu som fúnebre
Imersas no escuro da noite
Caio mais uma vez no abismo do não-entendimento,
dentro do que não sou, roubando-me o que me restou
Resta-me o escuro e o silêncio
que não me amparam, me flagelam
Mas me sustentam
K. J.

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