Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A porta


Entrou naquele lugar. Não se importou com o que existia por lá, quem poderia estar esperando lá dentro. Foi iluminada por uma pequena sombra que pouco a pouco sumia e se rendia à escuridão do local. O medo tomou conta dela quando um enorme barulho cortou o silêncio que ali habitava. Parecia tudo tão tranquilo e aconchegante, como poderia mudar bruscamente? Estava de pé, atônita, sem nenhuma reação. Os pés descalços sobre a areia fina e fria, onde podia sentir pequenas pedras, mas que não incomodavam. Sentia cheiro de umidade, mofo e velharia. Cheiro de antiguidade, certamente.
Os ruídos estrondosos não cessavam, por mais que ela desejasse, por mais que gritasse pra que eles parassem. Apenas continuavam. Seja lá o que causava tanto alarde, parecia se divertir com seu medo, com seu sofrimento e angústia. Sentiu vontade de correr, sentiu vontade de chorar [e chorou], arrependeu-se.Veio à boca o gosto do remorso. Por que se aventuraria naquele lugar que surgiu de repente a sua frente? ali, no meio do nada?
Estava com frio e fome, sozinha... Ali pareceu-lhe tão perfeito para um descanso... A porta parecia convidar-lhe a conhecer seus segredos mais confusos e extraordinários. Parecia oferecer tudo de que precisava naquele momento: companhia! Não queria mais estar perdida. Nem queria continuar vagando. "Talvez pudesse ficar por aqui", foi o que pensou ao ver tudo aquilo, por isso entrou.
Tudo havia mudado agora. Ela estava assustada demais para continuar. Ouviu os gritos de sua alma: "Nem mais um passo! Volte! Corra!". E correu.


K.J.

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