Quem fala e silencia...

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Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estados e estações


É tudo sempre tão igual
tão parado, calado, sem nome e sem cor
sempre sem som
Nada acontece no final
não com quem permanece aqui
só com quem chega, passa e vai embora
Não se transforma
nasce, cresce e morre
com a mesma aparência a.normal
E quantas vezes ainda tenho
que atravessar esse portal?
E quanto de mim resta ainda pra suportar-te?
Pra roubar meu silêncio
e calar-me em voz e em pensamento
ouvindo apenas o ronco dos sapos em meu estômago




Quero estar em meus estados
dos bons males que passo 
antes de te encontrar
sair de suas estações
opiniões, situações e indecisões
Encontro-te apenas para deixar-te
Somente chego pra ficar à espera
da hora de poder partir
Com pressa de sair
Sem saudade de ficar
Vontade mesmo de nunca estar
por onde meus pés ainda  precisam pisar...




K.J.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Alterando conceitos



Eu costumava ter um conceito diferente sobre as coisas, sobre as pessoas e sobre meus próprios sentimentos. Perguntava-me dia e noite se o tão falado amor existia. Amor entre irmão, amigos, pai, mãe, tudo isso era sentido de verdade, ou éramos induzidos a pensar que sentíamos? queria sempre saber, descobrir por mim mesma se eu fui educada a amar meus pais e meus irmãos ou era um sentimento involuntário, não passível de coerção. 


Aí vieram os amigos. Ah! sim! quer sentimento  mais puro que a amizade? e ouvia e dizia muitas pessoas: "Amizade também é uma forma de amor!". E concordo com isso. Não temos obrigação de amar nossos amigos, temos? eles aparecem das formas mais inusitadas possíveis e ganham espaço sem nem ao menos percebermos. Viram quase irmãos. Na verdade, muitos - alguns - são nossos irmãos. 


Mas mesmo assim duvidava da existência do amor. Duvidava de minha própria capacidade de amar. Foi quando chegou um filho. Esse sim. Amor incondicional. Carregado durante 09 preciosos meses, amamentado e cuidado com algo mais precioso que leite materno: amor! Como poderia eu não amar um ser que saiu de dentro de mim? ao qual eu dei de comer também de dentro de mim, do fundo do meu peito (tá valendo o trocadilho)? 


Mas não estou escrevendo todas essas linhas para falar desses tipos de amor(es). Isso. Exatamente. Descobri dentro de todas as retóricas perguntas que são vários os tipos de amor(es). E cada um tem seu jeito de amar e demostrar seu amor. Isso é fato.


De qualquer forma, com todos esses "amores", havia um  tipo que definitivamente, eu nunca acreditei. Tinha um conceito totalmente diferente do senso comum e absurdamente estranho (pelo menos pra maioria). Acreditaria eu que homem e mulher poderiam amar-se de verdade? Seria eu capaz de sentir-me assim? duvidava.


Hoje bem sei, ele existe. Acredito. Sinto-o. Vivo-o.


Sinto-o em mim ao pensar mesmo sem querer (ou não!); falar sempre sem nem perceber; estar assim ser tudo que quero fazer; Assim quero e vou permanecer.


Amo sim. De verdade (verdadeira). Feito criança, que não ama pela metade.


Escrevo agora para mostrar pra mim mesma minha capacidade de amar. Para (eu mesma) ver que o que sinto é imenso, crescente e eterno.


Amo. E tenho vontade de gritar na rua todos os dias que acordo. De seguir meu pensamento que consegue estar em lugares que não posso. De ficar entre os braços com os abraços quentes no frio; De estar junto, somente, eternamente.


(Amo-te)




K.J.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

So.mente


Vejo espaços vazios e móveis ao canto
E apenas uma colchão pra deleitar meus pensamentos
Recheados por mágoas, tristezas e saudades
E tudo mais que é trazido pelo vento
E essa vontade eterna de não estar aqui?
A alma implora pra me ver partir
E parte-me não poder ir
Mesmo deixando uma parte de onde saí
Esta noite que ao menos um conforto
Que posso aliviar essa falta em mim
Desejo ao menos ter sono
E quem sabe ter no meu sonho
O que nunca existiu aqui


K.J.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Poucas linhas


Ficarei dias por aqui, meses, anos, não importa. Entrar ali ainda me dói muito. Entorpece-me de tristeza e melancolia.  E mesmo após tudo que me foi dito, esclarecido, prometido e evidenciado, a alma ainda dói. Posso sentir a chuva que cai por dentro, silenciosa como tudo o que sinto e não calo. 
E com todos os sussurros que gritam em meu pensamento, são apenas algumas linhas que acendem em meus olhos, tornando escuridão tudo que meus ouvidos tenham presenciado, e tudo que minha pele tenha provado. São poucas linhas, poucas sim, essas que não pertenciam a mim, que ao peito meu pareciam carregadas de saudade e desejo reprimido, não por mim.
Estavam escritas e ficarão em mim. Ainda estão, descritas. 
Deixou-me parte adoecida. A parte partida em mim que não parte de mim, parte-se enfim.

K.J.

domingo, 29 de abril de 2012

Divagando..



E pra que tanto chuva, tanto cinza, tanta lembrança?
Por que tanta nuvem encobrindo a cor?
Se é azul, não vejo mais
às vezes sai e não volta atrás
[des]encontr(a.os)

K.J.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Chuva na varanda


Fecho os olhos para ver a chuva cair. Sinto-a fria, gelada, com gosto de noite que sopra em minha mente meus desejos ainda imperceptíveis. Cai lenta, lento são os pensamentos ao seu redor, ao redor do que transborda em mim, transborda-me! Fica claro feito o céu de nuvens brancas em noite sem lua, clareando mil ideias na rede de dormir. Na varanda, onde o vento balança as cordas de tudo que imagino, sonho, lembrança, recordação. Lembro da saudade que nunca esqueço. Sinto a vontade que sempre a(s)cendo. Deixo a chuva cair em mim enquanto penso, enquanto lembro, enquanto abro os olhos e vejo-a cair no chão.


K.J.



terça-feira, 17 de abril de 2012

M.E(U)D.O


Tenho. E tenho muito. Pode ser bobagem de quem nunca cresceu ou de quem nunca brincou de ser adulta. Mas  quem nunca teve antes? ou quem não sente agora? Insegurança, não sei. Fraqueza, talvez. Mas bem sei que percorre em mim todas as noites. É apenas o que sinto, o que me prende e me freia, sempre. É isso que me cala em minhas inexatidões. E quando me permite não silenciar, faz o som da voz perder o tom, pateticamente ritmada e permeada por dúvidas que não quero ouvir. Me cala ao ponto de não querer calar. Enche-me com suas hesitações e indecisões. Martiriza-me com esse receio e objeção. Tenho. E tenho muito. Me tira a quietude de estar comigo mesma, me deixa cair em torpor e transbordar dentro dele. Nele. Somente nele. No meu medo.

K.J.

terça-feira, 13 de março de 2012

Quietude


Sinto-me em tranquilidade
Essência viva, plena, sem morbidade
Desperta alma minha de son[h]o adormecido
Entorpecido em pleno deleite
[n.d]o silêncio que já foi esquecido
Vestido de sossego, longe da aflição 
vertida em saudade, despida de inquietação
[Sen]tida como sopro
Vento em pura manifestação

Toda a água secou na areia do mar
Através da dança que se perdeu no ar

O tempo não mais escorre pelas mãos
Nem o silêncio grita em inquietação
Em mim, refiz os fragmentos meus
Incisões do tempo que caíram em descontentamento
De todas as cores em palidez
Tenho faces e vozes não mais ao relento
Não há mais pétalas caídas pelo chão
Pelo que não podia ser ouvido
Agora dito sem hesitação
Com toda saudade [man.sen]tida em mim
Pela relação não-mais-que-[im]perfeita
Sem existências esquecidas na essência da noite
O que escorre de mim, sem medo do que me espreita
O gosto de pele em nós [des]atados
Os (a)braços abertos, assim apertados
Sentimento seguro e des.conexo
Sublimado em pensamento
Derrete e arde seco
e não pára no tempo!



Kelly Jucelle

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

[In]certeza



Hesitação abissal sobre suspeita imperceptível
Ando in.decisa, in.conformada, 
Tenho dúvida por não ter dúvida alguma
Tenho medo do que é certo, onde não há erro
Trauma-me o [des]engano im.perfeito
Sem coragem para acertar ou [des]fazer-me em exatidão
incompreensível
Assusta-me essa atmosfera incoerentemente correta
Como eu poderia experimentar o im.provável?
P.e.r.f.e.i.t.a.m.e.n.t.e vulnerável
Por confiar no que é inacreditavelmente confiável
Evidente verdade que me torna cética
Descrença da realidade
Permanentemente certa


K. J.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Instinto animal


Duvide
Obrigue-me a [des]fazer
Faça-me jogar pra valer
Assuma que você quer ver
noite em olhar meu permanecer
Desconfie
de tudo que te atrai
que te fascina e ou te distrai
Há mais
de onde você não sai
Desafie
Brinque de chefiar
perca-se ao silenciar
e veja no meu olhar
o verdadeiro inquietar
Sinta
Movimentando-se em sua direção
arrastando-se pelo chão
o prazer da aflição
de quando a presa está na mão
Aprecie
a manta negra de constante brilho
Unhas que cortam sem auxílio
Animal noturno e andarilho
na caça não há empecilho

Duvide
Desconfie
Desafie
Sinta
Aprecie
e satisfaça-me!


"Muitos felinos brincam com a presa antes de devorá-la"

K.J.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Grafando em (meu) silêncio



Se eu soubesse que não seriam só palavras
Grafias de sentimentos marcados na folha de papel
Sensação escrita sem tinta, sem cor, ao léu
Letra que não cala em meu contentamento
vertida em tristeza trazida pelo vento
Dolorosa grafia escrita pelo tempo!
Em alta expressão do pensamento que cheira à saudade
Sinto o gosto que o  medo traz-me à boca
Deixa-me árida, rude e áspera
Constante inquietação transformada em tempestade
(Chove olhar meu em ausência)
Se eu pudesse saber se essas palavras seriam lidas
poderia escrever todo silêncio em mim agora
Tudo que habita e que me devora
que me adormece, entorpece e me apavora
mas que não quero que vá embora
Silêncio meu treme ao ser ouvido, mexido e indagado
Temor de não ouvir nada mais que ele mesmo
ou de ouvir o que poderia ter sido calado
ficando em mim sepultado


Dúvida não há sobre o que sinto. Não sobre o que sinto.


K.J. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A porta


Entrou naquele lugar. Não se importou com o que existia por lá, quem poderia estar esperando lá dentro. Foi iluminada por uma pequena sombra que pouco a pouco sumia e se rendia à escuridão do local. O medo tomou conta dela quando um enorme barulho cortou o silêncio que ali habitava. Parecia tudo tão tranquilo e aconchegante, como poderia mudar bruscamente? Estava de pé, atônita, sem nenhuma reação. Os pés descalços sobre a areia fina e fria, onde podia sentir pequenas pedras, mas que não incomodavam. Sentia cheiro de umidade, mofo e velharia. Cheiro de antiguidade, certamente.
Os ruídos estrondosos não cessavam, por mais que ela desejasse, por mais que gritasse pra que eles parassem. Apenas continuavam. Seja lá o que causava tanto alarde, parecia se divertir com seu medo, com seu sofrimento e angústia. Sentiu vontade de correr, sentiu vontade de chorar [e chorou], arrependeu-se.Veio à boca o gosto do remorso. Por que se aventuraria naquele lugar que surgiu de repente a sua frente? ali, no meio do nada?
Estava com frio e fome, sozinha... Ali pareceu-lhe tão perfeito para um descanso... A porta parecia convidar-lhe a conhecer seus segredos mais confusos e extraordinários. Parecia oferecer tudo de que precisava naquele momento: companhia! Não queria mais estar perdida. Nem queria continuar vagando. "Talvez pudesse ficar por aqui", foi o que pensou ao ver tudo aquilo, por isso entrou.
Tudo havia mudado agora. Ela estava assustada demais para continuar. Ouviu os gritos de sua alma: "Nem mais um passo! Volte! Corra!". E correu.


K.J.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Em partes, por partes


Partiu-se.
Partiu em mim mais uma vez.
Derramado, desaguado, despejado
Quebrou-se, todos os pedaços já antes partidos
Tento apanhar pequenos fragmentos que nem chegaram a tocar o chão.
Não me recuperarei.
Está partido sem ter partido de mim.
Quebrado, despedaçado, destruído
No [não] sigilo da noite
Partiu-se


As pétalas viraram pó em meio a tormenta
Desta vez não foram sopradas
Foram brutalmente arrancadas
Dilaceradas de seu caule
Caídas
Cor vibrante perdida, sem brilho, sem luz
Sem sua dança sobre a água
Ou seu ritmo ao soprar do vento
Tempo seu foi-lhe tirado
Seu sorriso mais uma vez arrancado


Imersa, a transbordar a água, velada, parada
Sufocando sua voz
convertida nessa mesma água...
Tempo é tudo que quer agora
para se re.construir, estar de pé novamente
Talvez ela renasça, outra vez
Talvez, pra alguns, esteja morta pra sempre
Talvez prefira parecer morta
Posso querer assim.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Silêncio forçado


Carrego minha carga de angústia e inquietação. Pesa-me n.a alma, o peso da palavra silenciada, nunca pronunciada, suprimida e abafada. Pesa-me o silêncio forçado, sufocado, grito ecoante em todas as direções, e apenas dentro de mim.

Acostumei-me ao silêncio. Não quero falar se não vou ser ouvida. Não quero ver meu grito se perder pelo vazio que foi deixado à minha frente.

Vazio que transborda em mim, que enche e completa minha essência, em infinitas existências. Preenche-me.

Faço da tristeza o conforto mais doloroso que existe, mas ainda sim, meu conforto.

Conforto-me, conformo-me. Silencio, não por querer, mas por falta de quem posso me ouvir. Por falta de quem posso me compreender.


K.J.

Ausência (sen/man)tida


A pesar da falta, sinto a presença. A presença em cada banco da praça, em cada rua que passa, em cada passo que é des.compassado.

A ausência é minha única companhia, me deixando á vontade com o silêncio.

O cheiro impregnado na sala e ainda nos lençóis é sempre sentido, inalado, agora somente pelo meu nariz.

Os pulmões parecem obrigar minh'alma a aspirar (ex)pirar...

Os olhos são des.leais, esperam e procuram... Mas quando não encontram, entristecem-se. Vêem apenas a falta, o vazio deixado, transbordante pela face.

Por estar tão longe, apesar de serem poucos os centímetros... por estar em frente, mas não ao lado.

Por acreditar, e somente, nada poder fazer.


Kelly Jucelle




PS.: Texto antigo, encontrado [não] por acaso dentro de um velho livro. Escrito em 05/03/2010. A música tbm fez (faz) parte do sentimento na época...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Relação [im]perfeita



E se eu te oferecesse
todos os problemas resolvidos
e uma vida inteira pra criar novos problemas?
E se eu prometesse
Confusões, com receios e discussões
Paz em um segundo por dia
e um perfeito mundo cheio de imperfeições?
E se eu dissesse
que brigaríamos feito criança não mais que toda hora
e toda a insegurança, inquietude e desejo
seria o fim da saudade de agora?
E se eu tentasse
ser igualmente diferente a cada dia
Impulsiva, intensa e [des]controlada
Mesmo essas promessas eu quebraria!
E se assim fosse
Defeituosamente perfeit[o.a]
Despido de apego e veneração
Ardente, doído e vivo, sem regeneração...


Você aceitaria?




K.J.