Quem fala e silencia...

Minha foto
Bem mais do que posso falar ou silenciar... Não basta um olhar... não chega a enxergar. Calo-me para que meu grito alcance a existência do viver em si mesmo, fora do ser que sou, dentro de como estou...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dança no ar


Entra em minha pele e move minha carne em sua direção
Movimento aliciante, envolvente feito dança, melodia sem exatidão
Mente minha perde-se em um balanço sem fim
Rendo-me à inquietude causada em mim
Escaldante desejo percebido nos olhos (meus)
Efeito inebriante do olhar à luz cor-de-prata que vagava no ar
Meu corpo move-se em compasso pausado, não dito, silenciado
Ritmo de passo leve, suave envenenamento
Inexistente pressa, deleito-me devagar
E.feito inebriante, entontecedor
Suave que nem brisa ao acariciar
Delicadeza e brandura em melodia a tocar(me)
Pairando no ar




K.J.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sentada ao mar


Na areia branca, sentei e chorei
A praia iluminada pela luz branca da lua
No som vivo do mar aos ouvidos
No sussurro do vento corrido, entre as estrelas

Chorei quando sentei na areia branca
Ao olhar a cidade que olhava pra mim
E ver o meu rosto abatido
Imerso na tristeza sem fim

Sentei na areia branca e chorei
À luz prateada que saía do mar
Plantas, folhas, sal, sentimentos no ar
Tanto que eu queria silenciar!

Chorei na areia branca quando sentei
e a água que de mim escorria marcou o lugar
Ondas que vieram pra lavar
e deixaram-me transbordante em desordenação

Quando chorei, sentei na areia branca
Enquanto observava o mar e sua inquietude
No peito lembranças, saudades do que nunca vivi
Do que gostaria de sonhar


Seria errado lembrar?


Sentei, chorei, vivi, lembrei... deixei... meu rastro na areia branca do mar...


K.J.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Afastando-se em sopro



Por onde andas vento, que não sopras mais em mim?
Será que sem curva passou,
ou encontrou outro jardim?


Na janela minha deixou de entrar
Em meu cabelos não sinto afagar,
nem levar toda a dor que deposito aqui


A ventania sumiu, se escondeu (n.d)o tempo
Não faz barulho em minha porta, o vento
Não entra em meu aposento


Brisa se foi, de sopro fraco em seu torpor
Talvez soprando em outra flor
Vento esse que não sopra mais em mim


Falta do cheiro do vento,
Do afago, do acalento
Do abraço, passando entre meus braços


Falta do carinho, da resposta
Do sopro no ouvido
Coisa nossa...




K. J.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Preciso-me!


Somente não quero ver ninguém hoje, escutar vozes ou ter contatos pessoais. Sou Assim. Gosto do silêncio na noite, da solidão e escuridão que me habitam e de minha própria companhia. Somente comigo mesma compartilho meus segredos mais íntimos e meu maiores medos. Só eu me entendo e não me julgo pelo que penso.

Necessito visceralmente disso, de mim, do eu, de fechar meus olhos e enxergar a alma minha despida, nua e crua em essência e substância.

Quero sentir-me, saber que estou aqui. Preciso que deixem-me, permitam-me que o faça.

Sou feito planta que morre sufocada com muita luz, mesmo que a intenção do sol seja fazê-la florescer.



Entre a cura e o veneno, a diferença está na dose.

Entre o prazer e a dor, a diferença está no toque.


As palavras possuem momentos certos para serem ditas e também possuem a dose e o toque certo. nada pode falar mais do que o silêncio.

Quero-me agora!

Deixem-me!

K. J.

sábado, 19 de novembro de 2011

Fragmentos



Silêncio meu que se rompeu. Quebrou-se, rachou d(e)m mim, partiu-se. Não posso mais silenciar o clamor da alma minha; a voz que reluta em sair, em vão, pois não há quem possa compreender seu som.


Em pedaços sonoros do silêncio que me habita, fui d-e-s-p-e-t-a-l-a-n-d-o, feito fera perdendo seus dentes ao vento; sopro no dente-de-leão.


Brisa que veio pequena, fraca sem vigor.


Mas que chegou forte, transgrediu, violou.




Ecos gritantes escapam de cada fragmento ao chão, cada pétala da lótus despedaçada que ainda dança sobre a água. Silêncio oriundo das que estão imersas na lama.


Exala de mim a melodia sensível aos olhos, imperceptível aos ouvidos. O rascunho do eu em mosaico des.feito, pálido e desvanecido.


Silêncios dissipando-se. Ecos se propagando. Gritos relutantes. 


Pétalas ao chão.


Pedaços.



K. J.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Incisão


Senti-me traída, encurralada, apunhalada
pelas costas, expostas,  ferida crua e nua, 
vestida de morbidez, vertida em mágoa.

Desmorono, transbordante água velada que escorre enquanto dói

Dor pungente, constantemente sentida
Dor como ferida, gangrena, úlcera tórpida
Dói a cada ex.piração, a cada negação, dói-me o desprezo
Dói-me a sensação de dor, o martírio do rancor
Dói-me ter tanto medo
A alma vestida de pó, carbono e erros
Pungida e rachada em cacos à melodia de sua voz,
de uma única v(o.e)z

A alma marcada feito pele não-cicatrizada
o gosto acre que escorre pela boca
As palavras frias, sombrias em seu som fúnebre
Imersas no escuro da noite


Caio mais uma vez no abismo do não-entendimento, 
dentro do que não sou, roubando-me o que me restou
Resta-me o escuro e o silêncio
que não me amparam, me flagelam 
Mas me sustentam


K. J.




sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pa(ss.r)e Tempo!


Mais uma vez aqui, escrevendo estes versos para o Tempo
pra que ele ouça meu tormento
e pense em passar, sem fim, e não voltar
Pra que não me deixe esperar (tanto)
Escrevo sobre o que nunca esqueço
e do que quero lembrar
Peço ao Tempo que passe o pensamento dele nunca passar
As palavras (não) ditas voam pelo vento
e nele saem em movimento,
dançando pelo ar
Movendo, sentada ao relento, esperando a hora chegar
Por que não vai embora Tempo?
vai voando com o vento
por você não quero mais esperar!
Ligeiro, me re.invento, enquanto minh'alma esquento
Lembrando de onde queria estar
Passa o frio, passa o vento, e eu ao relento
sem ver a hora chegar
Aqui, escrevendo para o Tempo
pra que ele possa passar


Kelly Jucelle

Pequena cantiga


Precisava de inspiração
pra escrever esta canção
Canção essa sem ritmo nem melodia
que possa mostrar toda essa agonia
Não há letra sequer
que toque o que me toca agora
Palavras não tocam a música
(o) que toca dentro da alma
Não é canção de amor
Nem de alegria, enfim
Só quero tocar a tristeza
que agora habita em mim



Kelly Jucelle

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tristeza que voa (pra perto)


Ela ficou triste essa noite. A mesma menininha que se levantou de seu balanço assim que o pássaro caiu no chão. Ele não estava mais lá. Não estava dentro da casinha que ela tinha feito com tanto carinho. Por que havia saído de lá? tinha prometido cuidar dele até que sua asa estivesse curada. Sabia que quando sarasse, ele logo voaria. Sabia que um dia ia ter que deixá-lo ir. Os dias se passaram muito depressa, nem havia percebido que ele estava curado, que já podia voar, já sabia voar pra longe, pra onde era seu lugar. Enquanto a menininha olhava a casinha e seus olhos enchiam-se de lágrimas; enquanto ela lembrava do tempo que dedicou a ele, que tratou seu ferimento, as lágrimas escorriam e percorriam sua face; lembrava de quando deu alimento em seu bico, sem medo de ter sua mão machucada, tinha sua face molhada. Lembrava, apenas lembrava, com carinho, com o coração, dele ali, na casinha que era dele, que se abriu apenas para ele... mas agora estava vazia. Havia deixado ela sozinha. Sabia. Ela sabia que os pássaros só têm beleza no ar. São livres, e devem bater suas asas e voar. Ela está triste, pois não pode estar com ele agora; não vai poder estar mais, ouvindo seu cantar. Mas ela sempre soube, que um dia, teria que deixá-lo ir.




Kelly Jucelle

terça-feira, 18 de outubro de 2011

In.visível


Aquilo que não se pode ver, que não se pode ter
Aquilo que eu queria ser
Do que não se tem conhecimento
Que se esconde, se recusa, se anula

De olhos abertos sem enxergar
sem reconhecer, compreender, notar
Assim, dessa forma, sem aparecer
In.existente

Imagem minha apagada
Sumida, ofuscada, obscurecida
Estampa minha que quero ocultar
Não-refletida

Não ser vista, reconhecida, percebida
Quero apenas ser sombra
Aquilo que entristece a alma
Penumbra, isolamento, solidão

A parte menos iluminada de uma pintura
Parte escura, parte escusa
Mistério e enigma, sombrio
O que não há comunicação

Quero não a.parecer
Partir de mim a lembrança
Despercebidamente, escapar
Perder-me, não mais voltar


Kelly Jucelle

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pequeno desabafo


Sentimento humano que expressa desânimo, mágoa ou aflição
Tristeza minha de cada dia
Cada momento sem motivação
Me causa melancolia, dor, abatimento

Hoje não quero ninguém perto
Não quero estar próximo
Quero apenas sentar e chorar

(Sem ninguém pra me atrapalhar)

Tristeza quando não cabe no peito, escorre pelos olhos

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em carne viva


Querem rasgar-me em carne viva

Desejam mais que minha cabeça

Fatiada em postas, ex.postas feito carne na feira

É meu sangue que querem feito vampiros no cio

Querem comer minha alma viva, retirando meu brio

Posso vê-los próximo, seus olhos a me espreitar

É o cheiro do meu sangue que estão a inalar

Em suas mãos, correntes rangendo ao arrastar pelo chão

Ouço o eco de seus passos pelos corredores escuros

Alguns atrás do muro, esperando minha aparição

Estão cavando minha sepultura

Enquanto eu tento escapar

Sete palmos é a altura

de onde querem me jogar

Prendam-me, amarrem-me, sufoquem-me enquanto agonizo

Não podem me calar, não enquanto estiver vivo

Minha carne, meu sangue, minha voz

Só terão após eu ter morrido




Kelly Jucelle Costa Dantas

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Se(m.n)tido


Queria que o mundo mudasse
e de mim [se] partisse
O desejo que tudo acabasse
restando apenas o que eu sentisse
Pausa (sil^ncio) [meu]
Ouço minha própria respiração
Som esse que posso executar livremente (único)
Sem medo, receio de conspiração, sem exatidão
Preocup[me]ação
Transborda no olhar o meu c(h)ôro
O som de um silêncio gritante
Em e-c-o, cortante
Devora o sentido que há, consumindo-me
Superfície esta não está, não descobrirá
Diante de inexistente motivo que encontro aqui
Extingue-se em mim a vontade
de permanecer no eu, sem gosto, desleal
Uma existência pateticamente surreal
Contrariando a verdade
Pausa (grito em eco) [meu]
Segredo quebrado, nunca confidenciado
O que mora em mim, aqui jaz
A alma enfim se desfaz
Mórbida, fria, de natureza doentia
Toda a fome e agonia
Agora, aqui, sepultada
[em mim]


Kelly Jucelle

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Apreciação desfavorável


Tudo isso cansa a mente, dói n.a alma, condena o espírito...
Como pode olhar-me sem me ver?
Como é possível crer sem conhecer?

Carrego a sentença dada, sem nenhuma palavra pronunciada
o julgamento imposto a mim
Calando minha própria opinião

Vejo-os próximo! sempre a me espreitar
Eles não enxergam meu rosto
Não re.conhecem o que em mim há

Sem ciência do pesar da alma minha
desconhecem o que me causa dor
Descontentamento meu, sentimento que angustia

Apenas apontam
 o que causa (d)e(m) mim

K. J.

domingo, 7 de agosto de 2011

Quanto tempo?


Quanto tempo tenho ainda para ter tempo de esperar que o tempo passe?
Por que a hora não some, só me consome, aumenta o quem tem fome, de mim, de si, de ti...
Queria ver o tempo passar, correr feito o ar, nele se dissipar - despedaçar o que sobra de/em mim
Vai tempo, vai embora, passa com o vento, leva o desalento, dor que acalento
Quanto tempo falta pra passar, pra me fazer acompanhar e contar?


Tempo que pára, não pára de passar
Hora que não vejo chegar, saudade que fica devagar
Hoje queria ao menos um olhar, sorriso por assim ficar
Ah! tempo, por que anda tão devagar?

Kelly Jucelle

sábado, 6 de agosto de 2011

Pensando alto...



Continuei andando então, sem saber por/para onde. Não desejei fazer tal pergunta a mim mesma, apenas seguir o caminho que aparecia abaixo de meus pés. Ouvi o barulho da água, enxergando um rio logo a frente. Água límpida, cristalina de tal modo que quase se podia ver vida ali dentro. Ah! dizem que essas águas são as mais perigosas, pois acredita-se estar vendo o fundo, e não se teme em adentrar-lhe; quando se dá conta, já se está quase afogando. Mas minha intenção era continuar minha caminhada. Enxerguei uma ponte. Pequena, estreita, onde passaria apenas uma pessoa por vez. Uma ponte recém construída, mas que não dava sinal de suportar meu peso. A madeira fina, os nós não estavam bem acabados, parecia fabricada por uma criança. Arrisquei. Subi na ponte, e me encontro em cima dela. Temo em não chegar do outro lado. Temo que a madeira não me sustente e se parta. Mas continuo em cima dela, é única, e preciso chegar ao outro lado. Quando olho para os lados aprecio a paisagem, as árvores, flores e grama, e sorrio com a brisa que beija minha face. Se olho para baixo, penso que vou cair. Lembro do quanto o fundo do rio pode estar longe e que eu nunca aprendi a nadar. Mas não posso descer agora. Mesmo cedendo ao medo, só posso seguir em frente. Talvez eu consiga chegar ao outro lado. Talvez eu precise cair e aprender a nadar.


Kelly Jucelle

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Palidez


Vejo a cor branda de minha carne sem tocar o espelho
A face desbotada pela chuva não vertida, escondida no olhar
Morbidez minha, nua em vestes rasgadas pela dor que me corta nesse dia
Minha inquietação descorada, devora-me o vazio que preenche minha tristeza
Resta-me o escuro e o silêncio que hoje flagelam o que ainda há em mim
Sofro de melancolia profunda e duradoura, alimento da minha hipocondria
Sinto-me cair no abismo do que sinto, sozinha com a tenebrosidade
Salto, jogo-me quando desaparece a vontade de estar de pé
Já não sustento o corpo adormecido e degradado
Desmorono, transbordante água velada que escorre enquanto dói
Dor pungente, de trago cortante e voraz
Não posso gritar
(não há ninguém pra me salvar)


K. J.

sábado, 2 de julho de 2011

A prisioneira dele


Ela está sozinha agora. Se vê entre os lençóis e se pergunta o que faz ali, pronta para dormir, com ele ao seu lado, a roncar, tirando seu sono todas as noites. Ele está ao seu lado, mas apenas na cama. Ela continua sozinha. "Devo estar de pé as cinco da manhã". É tudo o que pensa antes de dormir, mas não é isso que deseja, que necessita, que a deixaria feliz. Está sempre presa, presa sim, por mais que tenha as chaves de todas as portas e portões, ela está presa. É presa dele, e se mantém assim, pois acredita que é assim que deve ser, que nasceu para servir-lhe. Ela não vive como um passarinho na gaiola. Vive como um pássaro solto no meio da floresta, que teve suas asas cortadas, suas penas retiradas, e agora está fadado a caminhar por entre a relva seca e rasteira, observando os outros pássaros planam alto, no céu, radiantes.

Nas poucas oportunidades que tem de sair de seu recinto, ela sorri enquanto seu rosto iluminado olha as vitrines que mostram paisagens de vários lugares do mundo. E ela se imagina ali, pisando naquela areia branquinha da praia, sentada em um banquinho de praça apenas contemplando os galhos das árvores que se mechem com o vento, ou mesmo as folhas secas caídas ao chão. Não! mas não pode nem ao menos sonhar muito, tem que estar em casa antes das onze, pois o almoço dele precisa estar pontualmente ao meio dia na mesa, senão irá decepcioná-lo. Ah, não. Ela não poderia perdoar-se acaso viesse a decepcioná-lo. Por mais que ele nunca perceba que ela dorme apenas quatro horas por noite, ou que só consegue almoçar às cinco da tarde para que esteja tudo em ordem, limpo e cheiroso; mesmo que ele não perceba todo o amor e cuidado com que ela tempera cada prato seu! Dedica seu tempo somente a ele... até por que não importa se já faz mais de três anos que ela não visita as irmãs... não teria nada pra fazer por lá... não importa nada. 

O que importa é que ela está sempre pronta para ouvir-lo reclamar que a comida está ruim, ou que ela não guardou sua roupa da maneira que ele queria, ou mesmo que ela não faz nada direito e ainda fala demais. Aliás, alguém já ouviu a voz dela? Ela sabe que ele nunca agradece e nunca elogia, pelo contrário. "Poxa, ele não gostou mais uma vez". É assim... há muitos anos... do amanhecer ao...   amanhecer...  ela está sempre pronta para dar o tudo de si por ele todos os dias, enquanto ganha em troca... hum... Vejo somente uma existo que ela ganha em troca além da vida de prisioneira? prisioneira dele... sim... dos caprichos dele, que ela se deixou prender e nunca poderá ser resgatada.

Ela acredita ainda ter vida. Eu vejo apenas uma existência, pálida, cinza e sem cor.



Poderia crescer-lhe outras asas?


Kelly Jucelle

Viajo sozinha com o meu coração
Não ando perdida, mas desencontrada
Levo o meu rumo na minha mão
(Cecília Meireles)

Rumo? não sei qual. Pra que serve isso?
Mas sei que um dia chego lá...


Kelly Jucelle

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Fechada em mim



Estou fechando portas esta manhã
Fechando o olhar meu, fechando o que há
Deixo o que fica pra trás, não olho
Pra não ter que lembrar
Fica guardado o sentimento silenciado
Sentido e nunca compartilhado
Sil^ncio meu (em mim)
Que sempre vem me acordar
Hoje não permito entrar o sol
Quero ficar embaixo do lençol
Meu medo está na sala a me espreitar
A porta já está fechada, não estou trancada
Removi a fechadura
Deixei meus gritos do lado de fora
(não quero ouvi-los)
Vou ficar um tempo aqui dentro, sozinha, comigo
De frente o eu e mim
Pra mudar alguns objetos de lugar
(Transformando-me)
Pra quem sabe abrir uma janela
e dormir ao luar






"Fecho-me pelo medo de sentir (mais)... covarde eu? talvez... e quem às vezes não é?"


Kelly Jucelle

domingo, 12 de junho de 2011

Soprando em mim





Vento         d              l           b          r             a            e
               e               i           e           d             d




E quando o vento sopra
Mais forte, mais lento
Mesmo que não balance os cabelos
Leva parte de mim
que se (des.re)faz no ar


Conforto-me no vento frio
Permito o toque à face
Envolve-me em abraço, laço (aperto)
Aqueço-me


Aquieta-me o sopro no ouvido meu
O som sensível à pele, marca
Invade a carne, se torna áspera
Sopra em mim, dentro de mim


A mesma brisa que balança a folha
É a que passa por mim
Ganha força pra soprar
Leva o que sinto, o que deseja
Sonhar...




















Kelly Jucelle

sábado, 11 de junho de 2011

Adorno


Não faço parte de você
De seus livros, nem de seus vícios
Não sou parte importante
Pra você não tenho nome
Não aparece e não some
simplesmente me esquece
Sou parte de sua brincadeira de pique-esconde
Estou cansada, tenho sede, tenho fome
Deixo claro nesse instante
Não posso estar à sua disposição
Estou saindo da sua estante





Kelly Jucelle